9.4.11

Treinos de evacuações funcionam



Pós terremoto e tsunami deixa uma grande lição de como as orientações das redes públicas, treinamentos em escolas, placas de alertas por toda cidade são importantes no nosso dia-a-dia.

Apesar de ainda ter muitos contradições sobre o sistema educacional japonesa, ainda acho que ela é efeciênte e sustentável para esta nação. O que me surpreendeu desta vez foi que os treinos de evacuação em escolas foi o alicerce de muitas vidas salvas no tsunami que alastrou a costa leste do Japão.

Assim que receberam a alerta de tsunami, alunos do ensino fundamental ficam encarregados de segurar mão de colegas de idade menor para seguir para um lugar seguro.
Parece ser uma tarefa tanto simples, de rotina, mas quantos deles ainda adolescentes passaram por inseguranças e medos, querendo lagar tudo e sair correndo para salvar sua própria vida. Essas crianças conteve uma descarga de emoções e foram fortes e vitoriosos suficientes para pensar no seu próximo.

Se no Brasil alunos fossem submetidas a tais treinos de evacuações em casos de incêndios, tempestades e de pessoa estranhas dentro da escola talvez a tragédia que aconteceu na escola do Rio de Janeiro causaria menos danos.

1.4.11

Runa-chan - Uma história real e triste de uma menina de Sendai junto com a enfermeira de grupo de socorros de Tokyo

Em três dias dormindo neste ginásio fiz uma linda amizade.

Em meio a corrida para medir a pressão arterial, aplicação de soros, uma menina chamada Runa de 6 anos me perseguia com seus passinhos pequenos.

Era uma menina que não gostava de usar máscaras de faces protetoras.
Começou a gostar talvez por eu ter desenhado uma Hello Kitty que na realidade não se parecia com Hello Kitty.

A noite no ginásio faz muito frio e só podemos contar com um cobertor fino sobre a pele.
Como a minha equipe era composta por homens, tive que aturar sozinha o vento gelado perto de uma entrada.

O ginásio espaçoso sem energia elétrica parecia como uma caverna.
Os aquecedores foram desligados. Um espaço escuro e frio.
Tremores freqüentes.

Se eu estivesse sozinha, o quanto não estaria com medo e me sentindo solitária.
Como todos estão aqui reunidos neste abrigo mesmo nesta escuridão eu pensei positivamente que essa espera pelo amanhecer se transformasse em uma energia.

A noite escura dentro do ginásio
Respiração de pessoas dormindo
Ouço também soluços de choro.

Em meio a ansiedade
Começo a pensar se talvez essa pessoa não conseguiu ver a família e os amigos,
Se começasse a imaginar não teria fim
Eu vou estar aqui somente uma semana
Mas todos que continuarão aqui devem pensar até quando terão que aturar a escuridão desse ginásio. Pensando assim não era uma caverna mas sim um túnel sem saída.

Eu não consigo dormir de tanto frio. Mas sei que preciso descansar antes que eu desmaie por estar acordada dia e noite
Se eu desmaiar e começar a incomodar as pessoas não terá sentido de eu ter vindo para cá, então mudo de posição para dormir
"Tia!" Foi quando Runa apareceu com um cobertor que nem sei da onde ela pegou e veio ao meu lado bem pertinho.

Perguntei a ela: "Runa você também não consegue dormir ?" acenando alegremente com a cabeça que sim
Runa tinha um abraço muito, mas muito caloroso.

"Tia, você tem alguém que você gosta?" Runa perguntou para mim

Respondi: "Eu tenho!"

"Como é essa pessoa?"

Respondi da forma mais fácil para ela entender: "É uma pessoa que tem barba (risos)"

"Papai Noel?"

Achei meigo e falei: "Sim, é alguém parecido com o Papai Noel" acariciando a cabeça dela

"Quando vier o inverno de novo o Papai Noel vai vir?" com um sorriso no rosto.

Até que enfim vi um sorriso, fiquei feliz e disse: "Runa, você é uma boa menina por isso Papai Noel virá de novo sim!"

Mas "tia, por favor diga ao Papai Noel para ele não levar o meu presente embora porque eu não tenho mais a minha casa." ela disse.

Queria dizer que eu sentia muito. E abracei ela bem forte.

Perguntei pra ela "Runa, o que você quer?"

"Casa e mamãe"

Eu pensei que a pessoa que sempre estava ao lado dela era a mãe dela.
No dia seguinte, fiquei sabendo que era a tia.

A mãe da Runa foi afetada deixando uma linda garotinha. A mãe foi encontrada embaixo dos escombros com uma aparência completamente mudada.

A Runa foi resgatada pela jardim de infância mas
sua mãe morreu carregando uma mochila cheia de bonecas e livros que ela mais apreciava.

Uma menina ainda tão pequena dormia sempre comigo sentindo a falta de sua mãe.

Quando tive que deixar o ginásio para ir num outro abrigo,
Ao despedir dela, ela chorava em voz alta

Ela mal acabou de ter uma triste despedida com sua mãe. E a ferida ainda nem se cicatrizou, e
ainda tem que se dispedir com as pessoas passando por uma outra forma de gosto de tristeza

Mesmo falando para ela que iriamos nos encontrar de novo
Mesmo querendo escrever uma correspondência a ela ... nem endereço tem

Distanciei do ginásio prometendo a ela que voltaria depois da reconstrução.

Não se esqueça desta catástrofe
Quero que torne uma mulher forte mas ao mesmo tempo delicada.
Espero que o seu caminho pela frente seja alegre e feliz.

Enquanto Runa acenava um adeus eu chorei interruptamente no carro, quebrando a promessa que tinha feito com enfermeiro líder de não chorar.

Sem saber onde jogar estes sentimentos, não pude entender porque as coisas tem que ser desta maneira.
E assim seguimos para a próximo hospital, instalações de apoio.

Vim trazer forças e alegria para essas pessoas e fiz ela chorar.

Qual é significado de eu estar aqui.

(Fonte: http://blog.goo.ne.jp/flower-wing)

30.3.11

18 de Março (sexta-feira 14:46) - Uma semana após o abalo

Como a vida é!
Até sexta-feira aquela rotina do dia-a-dia.
Esperava terminar o horário de expediente e curtir o happy hour, pensava ir ao shopping de final de semana e domingo dormir até mais tarde.
Desde aqueles segundo de abalo rotinas deixaram de existir, uma mudança nos costumes, nos sentimentos, no valores e sentidos da vida...
Em comparação daqueles que estão lé em cima a minha mudou um pouco só.

...
14:00 - Neste dia fez 1 semana após o terremoto seguido por tsunami.
Deu um aperto no peito, agradeci com fé e lamentei em silêncio.
Senti uma certa esperança crescendo.

29.3.11

15 de Março (terça-feira) - Dia tenso

Assim começou o meu dia:
-Tensão total! Qual é o futuro das usinas. Novas explosões hoje de manhã e os funcionários se "moveram" para algum lugar. Agora porque todos se evacuaram do local? Acho que algo de muito grave aconteceu. Não foi divulgada qual o motivo e qual a gravidade. Quem vai cuidar do reator 2?

Facebook deixa a marca de um pavor desconhecido. Pensei em não ir para empresa, mas fiquei com medo de ficar sozinha em casa e resolvi ir trabalhar também. rs
Em Otemachi presenciei família, solteiros, idosos de bagagens de viagens. Todos evitando ficar perto da radiação indo mais longe possível e o mais rápido possível. Só podia ser muita ignorância ir trabalhar com todo este clima.

No almoço o telefone não parava de tocar. Querido preocupadíssimo com tudo e querendo já que resolvessemos o plano B antes que o pior aconteça. A única solução imediata foi deixar o trabalho e voltar para casa e esperar que as coisas se acalmassem.

Foi um dia que me deixou um pouco apavorada, um calafrio e um pouco de medo.
Já ao anoitecer, pronta para dormir, um tremor... Novamente contado um, dois, três para ver se o tremor parava. O balanço foi um pouco mais longo que a contagem, mas parou gradativamente.

Encostei levemente minha cabeça no ombro amado e em suspiro com uma voz cabisbaixo perguntei:
- Quando tudo isso vai acabar? ele: -Acho que vai demorar um pouco mais que imaginamos. Tudo vai ficar bem... Desabei. Até então, pude fazer o possível, amparando as pessoas do desespero pelo msn, fazer ponte Brasil-Japão ligando para pessoas que você mal conhece, doações e traduções para português em voluntário... E naquele exato momento me dei conta do medo que tomava conta de mim por todos esses dias. E que na verdade nada estaria tão bem como eu imaginava. Desabei a chorar em soluços. Exausta psicologicamente dormi em lágrimas.

28.3.11

14 de Março (segunda-feira) - Segunda funcionando

O despertador anuncia a hora de acordar e sem muita moleza levanto e já começo a me aprontar para o ínicio da semana.

Geralmente as noticias do ínicio do dia nos fala da previsão do tempo, das fofocas de muitos talentos, alguns escândalos relacionado a política, novidades sobre o esporte japonês.
Mas esta segunda-feira um pouco diferente de todos... - Notícias de todos os canais voltadas a usina nucleares, sobre o tsunami que atingiu a costa leste, o racionamento de energia e o trânsito.

Com os seus atrasos e interrupção temporária o metrô circula normalmente e o governo e nem minha empresa decretou segunda feira como dia facultativo. O jeito foi mesmo pegar no batente.

Com aquele jeitinho de entrar no trem consegui chegar ao escritório. Postos ao trabalho as réplicas não cessam e os alarmes ficam toda hora tocando. Sem condições para trabalhar.O dia acabou tenso e na hora de ir embora nem a técnica de subir no trem funcionava mais. Desisti. Peguei outra linha e dei voltas para chegar numa estação mais próxima a de casa. Como muitos outros resolvi andar uma estação. Nesse passeio noturno, aprendi a respirar ares gelados e descobrir que Tokyo está tudo bem.

O dia da retribuição do Valentines Days.



Esses presentes são doces dos mais doces retribuições que recebemos. Eu mesma havia me esquecido que hoje é o dia do White Day. E apesar desta toda tristeza os meninos nos pegaram com uma surpresa muito gostosa.


27.3.11

13 Março (domingo) - Como será a semana após o terremoto?

Nada melhor que dormir sem interrupções de abalos, barulhos e acordar com fio de sol entrando pela fresta da cortina.O ideal era ainda curtir um pouco mais a cama e o futon. Levantar somente quando ver que não é mais prazeroso ficar. Mas a curiosidade a ansiedade começa a gritar dentro de você, querendo notícias sobre o terceiro dia do maior tsunami da história do Japão.

O abalo não era simplesmente 8.8 e sim magnitude de 9 graus. Olhando para todo esse estrago os 0.2 faziam muita diferença. Áreas antigidas pelo tsunami deixam rastros de destruição. Imagens ficam em nossa mente, coração chega doer de tanta tristeza.
Assim imagino eu, um ser tão pequeno, imperfeito...Ainda que pudesse fazer alguma coisa além de rezar pelas vidas destas pessoas.

26.3.11

12 Março (sábado) 11:00 - Dia seguinte II

Muita adrenalina no dia anterior, não consegui dormir mais que 3 horas, mas foram suficientes para descansar. Eu estava desorientada, meio chapada com o "cochilo" de dia.

Subitamente lembrei de tudo que havia acontecido, retornei a ligar a tv e a internet.
Todos os canais da tv japonesa estavam transmitindo incansávelmente os mais recentes acontecimentos sobre o tsunami e o terremoto. Acredito que todas as emissoras foram obrigadas a suspender sua programação e só transmitir o catástrofe e os alertas de novos tremores ao público.

Além do primeiro ministro Naoto Kan, Yukio Edano o chefe de gabinete correr contra o tempo e combater contra o cansaço, ele relata toda a ação do governo para controlar os reais problemas e responde as questões dos repórteres. Sem nenhum momento de repouso, sempre num discurso calmo e prudente traz aos espectadores paciência e tranquilidade.

Nesta tarde foi anunciado que haverá cortes de energia e de água. Pensei comigo como passaria uma noite no escuro, sem banho quente, sem comida aquecida.Resolvi me arrumar e sair para fazer algumas compras. *Se é que algum supermercado esteje funcionando.

Bastava colocar os pés para fora e aproveitar o lindo dia. O sol radiante e um friozinho da época. Montada numa bicicleta com cesta a caminho do supermercado passei pelo parque.


Um sábado qualquer! Pessoas fazendo cooper, lendo livros, brincando de soltar pipa, levando cochorro pra passear. Tudo muito tranquilo até parece que o que aquele susto de sexta-feira foi um sonho.


O pessoal do posto de gasolina usando uma régua medidor de combustível, para ver o nível da gasolina estocada no tanque. Acho que isso não era um bom sinal.


Uma turma evacuada com mochilas. E o pessoal olhando para cima.

Este prédio teve um pequeno dano na parte de cima. Uma reforma tende a  acontecer em breve.

Chegando ao supermercado, fico aliviada em saber que ela estava funcionando. Muitas pessoas fazendo compras normalmente. Foi quando peguei a cesta de compras em direção a platereiras... fiquei surpreendida com a situação.

         

Não sei se bateu um desespero do pessoal estocar suplimentos alimentares em casa ou os fornecedores numa justa causa estão desviando os produtos para as áreas atingidas.
Pão, água, leite e material de higiene pessoal, acabaram. O restante que se encontra é cerveja,condimentos e carnes cruas.
O que comprei neste dia foi o mínimo. Ingredientes para fazer o pão para o café da manhã e algumas verduras e carnes.
O dia passou rádido, escureceu e aproveitei para deixar tudo pronto antes que a fique no escuro. As máquinas de fazer pão são super práticas. Água, leite em pó, açucar, sal, fermento e trigo. Ela fica assim perfeita.

Aproveitei para tomar um bom banho quente de furô e já almoçada pronto pra cair na cama quando quiser, ou por obrigação.
Nesta noite com o anuncio do problema da usina nuclear adormeci com mais uma preocupação na mente.