2.11.15

Aborto espontâneo II: lidando com a perda e a espera

Conheço muitas amigas e conhecidas que já sofreram aborto...  e já sabia que qualquer gestante até a 24 semanas tinha o risco de 15% a 20% de sofrer um aborto espontâneo.

Na 8 semana confirmamos o batimento cardiaco e o risco de aborto tinha diminuido. Na 10 semana eu esperava chegar ao 12 semanas para diminuir drasticamente a chance. Mas não escapei desta estatística que dos 80% dos abortos espontâneos que ocorre antes das 13 primeiras semanas.

O médico me deu duas opções:
1) esperar que o embrião seja expelido naturalmente
2) partir para a cirurgia de curetagem (raspagem)

Ele me deu a seguinte sugestão, injetaria na veia um remédio para contrair o útero e receitaria um remédio que provocaria constrações no útero a fim de ajudar a expelir todo o conteúdo da gravidez e ao mesmo tempo evitar hemorragia. Ele deu o prazo de 2 semanas.

A curetagem é uma cirurgia simples que pode ser feito em alguns minutos e ter alta no mesmo dia. Porém o que é preocupante é a sedação da anestesia geral para remover a placenta, embrião, etc. Como é uma limpeza forçada é um processo que agride o útero.

E neste mesmo dia fomos num quarto onde a enfermeira injetou o remédio diretamente na veia.
Tive que esperar 5 minutos para saber se não haveria problema com a rejeição do organismo. Estes 5 minutos foi o tempo que comecei a me sensibilizar com a situação. Comecei a me entristecer por ter tomado aquela injeção no intuito de expelir uma vida que estava para crescer, nascer e fazer parte da família. Era um sentimento confuso, porque quando você descobre a gravidez a vida da mulher muda radicalmente para proteger esse ser que esta em você. A dedicação não era somente em não tomar bebida alcoólica, não exagerar na cafeína, não esfriar o corpo, não fazer esforço físico, além disso tinha todo o preparo psicológico, a construção do sonho de um futuro com filho para vir. E em uma consulta de 30 minutos tudo isso precisava ser deixado de lado, desapegar a esse sentimento, a este sonho, a essa dedicação. O sentimento não era mais de proteção era virar a mesa de ponta cabeça e começar a se cuidar e não procurar causas, motivos para uma situação que foi inevitável e imprevisível.

Neste dia paguei 2960 pela consulta, a ecografia, mais os remédios.

Depois de desabafar, depois de sentir tristeza, era somente esperar que os dias venham e que a tristeza não se torne uma dor, e esperar que venha um sagramento como a mestruação, sentir cólicas que façam expelir o saco gestacional e sentir novamente preparada para uma próxima oportunidade. É necessário prosseguir.

A espera... levo comigo todos os dias este kit.
- absorvente para guande fluxo,
- absorvente de gestante (quantidade de fluxo igual ao quando bolsa estoura)
- uma calcinha
- lenços de papel
- caderneta de maternidade
- cartões: da clínica e de saúde
- cupom vale consulta para gestante

1...2... Semanas e 4 dias (13 de Novembro) e nada ... 

1.11.15

Aconteceu o inesperado: o dia do aborto espontâneo I

Não sei por onde começar... já que tudo estava indo bem.

A cada 2 semanas eu tinha o compromisso de retornar a clínica para verificar e acompanhar o crescimento do bebê.
O sábado estava ensolarado, com um vento gelado, como de costume sendo dispertado pela Libby logo de manhã, vestimos ela com a fantasia de homem aranha (dia de Halloween) e levado para um passeio no parque. E às 11:30 eu retornaria para a clínica. Eu me sentindo tão bem achava que aquele retorno de rotina era um exagero.


Neste dia a clínica estava lotada, tinha grávidas de vários estágios.
Eu estava completando exatamente 10 semanas e 0 dias (10w0d) onde os exames iam começar a se intensificar. Pediram pela primeira vez para medir a pressão arterial, o peso e fazer a coleta da urina, e assim, seria em todas as próximas consultas.

Foi também o dia que usei pela primeira vez o "boshitecho" a caderneta materno-infantil distribuido pelo governo japonês. Também usei pela primeira vez o cupon de consultas gerais para a gestante emitidos quando você dá entrada para receber a caderneta. Nesta consulta iria também fazer o exame contra prevenção de câncer de colo de útero. Pude usar o cupom gratuíto emitido pela prefeitura.
       


Era minha terceira consulta e todos os 3 foram com médicos diferentes. Desta vez era um doutor já bem mais de idade, tinha os cabelos grisalhos, olhos meio caidos e falava manso, tão baixinho que nem conseguia ouvir o que dizia.
O Teppei também podia me acompanhar , entrou na sala e participou da conversa viu o seu bebê pela tela da ultrasonografia.

O médico fez aquelas 3 perguntas básica:
- Quandas semanas?
- Sente enjoada, algum outro sintoma?
- Tem sangramento?
E logo pede para sentar na cadeira ginecológica e procede o recolhimento do material para o exame do câncer do colo uterino.
O médico então começa a ecografia via endovaginal (dentro da vagina) e verifica o feto. Vizualizando o feto ele começa a questionar o tamanho, pergunta sobre os dados da consulta passada (8 semanas) com a auxiliar jovem e começa a medir. O bebê aparecia tão nitidamente que na minha imaginação eles estavam comentando que o bebê estava um pouco grande para o momento; e então o médico fala:
- O feto está pequeno, ele está com o tamanho de 9 semanas...
- ... não estamos conseguindo confirmar o batimento cardiaco...

Demorei para processar aquela informação, fiquei sem reação. Via a tela e não acreditava que foi constatado ausencia de batimento cardiaco, e não acreditava porque eu simplesmente estava me sentia bem.

-... o feto parou exatamente de se desenvolver em 9 semanas e 3 dias .- confirma o médico

Isto é, foi na terça-feira da semana, um dia de muita ventania, quando esqueci a chave do apartamento e tive que esperar o Teppei voltar do local do acidente (colocar flores para homenagear a namorada do amigo). Eu sei que isso não justificava o motivo, mas eu recordei  deste dia e por incrível que pareça eu passei o dia muito bem.

Desço então da cadeira ginecológica e vou me vestir, enquanto isso o médico começa a explicar a situação para o Teppei. Eu vejo semblante abalado, ficou sem reagir assim como eu fiquei. Não deu para sentir nem tristeza, nem pânico, nem medo, estavamos em estado de choque.
Fui novamente examinada pelo médico chefe, numa outra sala numa máquina de ecografia mais avançada. E realmente deu para ver que não havia pulsação e não havia sinais de cirulação de sangue, visualizada em riscos vermelho na tela, só havia sinal vermelho ao redor em outros orgão menos no coraçãozinho do bebê.
Foi então neste dia 31 os dias das bruxas, o dia que foi confirmada o aborto espontâneo.

20.10.15

Sobre Saipan - Ilhas Marianas do Norte



Informalções gerais

Clima: subtropical ano inteiro máxima de 27 à 28 graus e mínima de 22 à 24.
Época de chuva: agosto, setembro e novembro. De menos de chuva abril, maio e junho
Diferença de tempo com o Japão : 1 hora
Tempo de vôo do Japão : cerca de 3 horas e meia
Moeda: Dólar
Língua oficial: Inglês
Downtown : Distrito Garapan
Passaporte: com mais de 45 dias de validade
Visto: da penúltima vez que fui em 2009 brasileiro não precisava, porém neste mesmo ano em 28 de novembro Saipan se tornou
totalmente ilha americana por este motivo acredito que hoje a lei deva ter mudado. Eu entrei com o passaporte japonês. O japonês que viaja com fins de passeio até 45 dias não precisam do ESTA.
Transporte: acessíveis e seguros são os taxis. Para quem tem carteira de habilitação japonesa consegui dirigir com automóvel alugado. Inclusive dá para ostentar com um hummer. fj cruiser, chevrolet camaro
Compras: maioria dá para utilizar o cartão de crédito alguns lugares o ienes em dinheiro
Flor que representa o país : Pluméria



Opções de passeio
- passar o dia na ilha paradisiaca chamada Managaha (as melhores do meu ponto de vista)
- snorkeling aproveitar a água cristalina para ver vários tipos de peixes tropicais
- sports do mar, banana bout, jet sky, mergulho(maioria do objetivo dos turistas)
- spas, tracking, ciclismo, golfe,cruseiros, show, eventos da cidade (feira noturna quarta feira) etc

Opções de comida
As steak house são ótimas, tem os frutos do mar também maravilhosos
Country House, Mobu Dick, Tony Romas, Thai House , Hard Rock Cafe
Jantares organizados por hotéis são um pouco caras mas vale a pena.

Compras Shopping
ABC Store loja de conveniência
T Galaria DFS Duty Free
Supermercado local Joeten Shopping Center
Algo parecido com o Costco Joeten Superstore

30.9.15

O susto que provou a gravidez de 5 semanas e 3 dias

Nesta madrugada a Libby não parava de latir, sempre dormia sob a cama, mas estava inquieta.

Levantei a primeira vez pra mostrar pra ela que não tinha nada lá fora, na segunda tentei fechar a cortina e nada. E na terceira vez quando levantei aproveitei para ir ao banheiro e vi que estava sangrando, no sangramento tinha um coágulo de sangue que nunca tinha visto.


Imaginei comigo mesma que estava perdendo o bb. Quando fui tentar voltar para a cama só sei que estava caída no chão. Teppei veio correndo e eu perguntei onde exatamente eu estava e ele respondeu que estava em casa.

- em casa aonde?
- aqui no corredor da cozinha.

Por mim eu estava na cama, mas nem havia chegado perto. Teppei estava preocupado com a minha cabeça que havia sido batido no chão. A cabeça estava bem, somente fiquei preocupada com a situação do bb.
Ficamos um pouco apavorados mas 3 horas da manhã nem daria pra sair correndo no hospital, então resolvemos esperar até as 9h. Ligamos numa clínica mais próxima de casa e conseguimos uma vaga no horário da manhã.

A clínica era limpa, aparentava nova. A recepção junto com a sala de espera era estreita, as meninas do atendimento não eram tão simpáticas. Falaram para ir ao banheiro pra recolher a urina.
Depois de alguns minutos de espera o médico me atende pergunta os sintomas e me mostra o palito do exame de gravidez e confirma.

-mas ainda não vou te dar esperança se o feto está bem vamos conferir agora na ecografia.

 Então fala pra tirar a roupa de baixo e sentar na cadeira ginecológica e então ele mostra na tela que o saco gestacional está intacta no útero ( na foto a bolinha preta)


Não estava entendendo bem, mas ele garantiu que enquanto o saco gestacional estivesse no útero a gravidez está em dia.
Demorei pra acreditar pois estava sem muita esperança, mas já que ele disse que está tudo bem, pediu para agendar o retorno daqui a 2 semanas no dia 17 de outubro.

Neste dia para a primeira consulta paguei 8670 ienes.

29.9.15

Primeira participação no funeral japonês II

O que vestir
Maioria das pessoas vestem o preto para ir ao velório, as roupas formais de vélorios se chama em japonês "mofuku". Geralmente as mais em conta encontra em hipermercados como ION, ITOYOKADO ou nas lojas de ternos como AOYAMA, AOKI, etc.

As mulheres geralmente usam vestido de pretos com manga comprida, meias calças preta, sapato, bolsa também da cor preta. O acessário muito usado normalmente é conjuto de colar e brincos solitário de pérolas.
Os homens usam ternos, sapatos e gravata preta com camisa branca e as crianças vão com o uniforme da escola.
Dependendo da religião geralmente levam consigo o "juzu" o rosário budista japonês. Estes acessórios também é encontrada junto onde vende as roupas formais, mas eu encontrei nas lojas de 100 yen, algo parecido com as lojas de 1.99 no Brasil.

Esta roupa vestida no velório pode ser usada repedidamente no funeral do dia seguinte.



Kõden: doação para ajudar a família nas despesas de funeral.
Seguindo os costumes japonês nós nikkeis também seguimos o costume de entregar envelopes contendo dinheiro no Brasil.
Neste caso o valor que se contem dentro do envelope depende do grau de relacionamento com o falecido, porém só se deve evitar colocar o valor do número 4 que simboliza a "morte". No Brasil geralmente os valores são de 20, 30, 50, 100 reais. No Japão são 5mil a 10 mil.

O velório "otsuya"
No velório sentamos na primeira fileira que seria a família mais próxima do falecido, depois segue a sequência de parentes e amigos.

O monge então chega e inicia com a recitação da sutras sentado em frente do caixão. Durante a recitação somos chamados então para o ritual dos incenso.

O passo a passo é primeiro curvar levemente diante dos familiares, depois frente ao altar curva novamente pegar um punhado de incenso picado da tigela com os 3 dedos (meio,indicador e polegar), levando o punhado até a testa e derrama lentamente na tigela ao lado onde tem o inceso previamente aceso.
Entrelaça o juzu, o rosário budista e faz uma breve oração. Terminando da um passo para trás e curva-se novamente ao falecido e depois virando se para o acento curva diante aos familiares e assim retornando ao seu lugar.

Nesta noite foi servido um simples jantar e depois o corpo do falecido levado para o quarto onde junto farão a vigilia.

O Funeral "Kokubetsushiki"
No dia seguinte o funeral a monja repete o ritual. Terminada o ritual a parte superior do caixão é aberta para a despedida final. As flores que estavam no altar são todas distribuitas e colocadas dentro do caixão, são também colocadas lembranças como fotos, pertences. Fechado o caixão é levado até o crematório.

A Cremação"kasouba"
Acompanhado o carro da funerária chegando ao local da cremação, novamente acendemos os inceso e oramos por ela. Enquanto a cremação acontece, em uma outra sala é servida um simples almoço.
Depois de 2 horas de espera, em uma outra sala vem a bandeja de metal com algumas partes dos ossos do falecido. Com o palito hashi 2 pessoas pegam a mesma parte do osso e colocam num vaso pequeno. Os mais importantes são colocados por último por exemplo os ossos do pescoço que aparenta ter a imagem de um buda sentado. Os restantes das partes que não cabem no vaso menor são depositadas numa outra urna cinerária maior.


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Primeira participação no funeral japonês I


28.9.15

Primeira participação no funeral japonês I


Ainda em luto pela perda do querido pai esta semana a avó do Teppei nos deixou.

Foi uma pena perdê-la aos 90 anos já que tinha uma boa memória gostava de comer e conversar, debilitada pela falta de força ficou acamada e reclamava da vista e não ouvia bem, mas nunca perdia o humor e dava aquela gostosa risada.

Tivemos boas memórias antes dela partir e eu encararia uma segunda despedida do ano e desta vez participando pela primeira vez num funeral japonês chamado a cerimônia de "osōshiki".

Ela faleceu na quinta dia 23 de setembro e fomos neste mesmo dia visitá-la. Ela já não estava no hospital estava já preparada numa casa sofisticada de funeral. Neste lugar tem, quarto de visita, de hospedagem, sala de refeição e a sala maior onde acontece o velório. Tiveram a ótima opção de escolher um lugar que acolhe somente 1 falecido, assim tornando-se num lugar mais familiar.
E ela estava numa sala pequena bonita e refrigerada, tinha espaço para 4 cadeiras para acomodar as pessoas que a visitavam. Vestida de yukata e coberta por um edredom japonês toda em branco, estava cercada de gelo por todo o corpo, estava serena como se estivesse adormecida. Ela ia submeter uma cirurgia e iria receber um tratamento estético.

É muito estranho quando a pessoa falece e permanece muito tempo até o enterro. Já que no Brasil a maioria dos casos o enterro acontece no dia seguinte ou dependendo do caso as vezes até no mesmo dia.  Aqui no Japão por existir a técnica de embalsamar o corpo com produtos químicos, consegue preservar o corpo durante um longo período de tempo, assim a família consegue tempo para a preparação, facilitando também a agenda da vida dos parentes que vem de longe.

Eu queria isso para mim, para me despedir do meu pai e fico decepcionada com o Brasil.

E, então o velório da vovó foi marcada para sábado e domingo para a cremação.

25.9.15

Duas linhas nitidas: Positivo é gravidez!

Eu me presenteio com uma notícia maravilhosa a descoberta da gravidez por um teste de farmácia!

 O meu ciclo de 28 dias estava regular nesses últimos meses e fazia 1 semana do atraso da mestruação. Estava confiante que algo de bom iria acontecer, mas também eu sabia que não poderia ficar com a expectativa acima dos fatos, pois sempre depois a decepção é maior.

Quando deu posivito foi inevitável não ficar entusiasmada. E então começo a planejar a maneira feliz de anunciar a gravidez para o Teppei .
A melhor coisa que poderia ter acontecido é ter a Libby levado a  surpresa para ele logo após o seu retorno do trabalho.

Quando ele viu ela com a meia, pegou ela, arrancou da sua boca a meia. e logo entendeu o recado, arregalou os olhos e abriu aquele sorriso.
Novamente olha pra mim e tenta confirmar com um sorriso e aquele olhar "jura?!" Pergunta se é de fato verdadeiro e quando confirmo que sim correu para me abraçar me beijar e parabenizar muito pela gravidez.

 Estava na 5 semana e nesse final de semana seria o velório da avó materna, decidimos então guardar a novidade para a gente.

A vovó faleceu no dia 23 um dia antes de ter feito o exame de farmárcia e achei algo muito misterioso com o que aconteceu.
A minha mãe quando engravidou de mim também descobriu a gravidez depois de ter perdido a sua sogra, a minha avó por parte do meu pai. Portanto eu nasci um ano depois dela ter falecido em 1981.

Já ouviu falar na proteção dos antepassados, eu acreditava nessa energia boa que eles proporcionam e esse acontecimento mexeu mais ainda comigo.